Uma vez me perguntaram:
- Qual é o pior
sentimento que existe?
- A culpa.
- Por quê?
- Este, definitivamente,
é o pior sentimento que existe.
- Quanto à raiva, o ódio, o rancor, estes não lhes parece muito
piores?
- Não, a raiva não dura muito tempo, é extravasada
rapidamente, talvez no próprio ato de sentir a raiva. O ódio é uma raiva
transformada em sentimento, mas que se enfraquece e não dura a longo prazo. O
rancor é uma tentativa de empacotar esses dois últimos sentimentos e guardá-los
numa caixa, mas num lugar onde não há espaço para isso e acaba se tornando
insuportável.
- E quanto à inveja, o ciúme, a vaidade?
- A inveja, tão mal vista e condenada, mesmo ela consegue
ter alguma função, podendo até se tornar um objetivo de vida, a razão de viver
de uma pessoa. O ciúme, tão doentio e absurdo que possa ser, mesmo ele carrega algum
charme. A vaidade parece mais um desejo de agradar quem nunca se importa com
isso, do que propriamente um sentimento.
- Então, por que a culpa?
- Porque ela sim, a culpa consegue se encaixar de forma
perfeita à alma de um indivíduo, permanecendo agregada a sua existência,
acompanhando-o a todo tempo e lugar, como um fardo, pesado ou leve, mas sempre
... um fardo. Ainda que adormecida, ela estará
sempre guardada em algum lugar na sua consciência, pronta para despertar e dar
suas risadas incessantes, desdenhando da existência de quem a carrega.
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