sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sentimentos em Sentinela


Uma vez me perguntaram:

 - Qual é o pior sentimento que existe?

 - A culpa.

- Por quê?

 - Este, definitivamente, é o pior sentimento que existe.

- Quanto à raiva, o ódio, o rancor, estes não lhes parece muito piores?

- Não, a raiva não dura muito tempo, é extravasada rapidamente, talvez no próprio ato de sentir a raiva. O ódio é uma raiva transformada em sentimento, mas que se enfraquece e não dura a longo prazo. O rancor é uma tentativa de empacotar esses dois últimos sentimentos e guardá-los numa caixa, mas num lugar onde não há espaço para isso e acaba se tornando insuportável.

- E quanto à inveja, o ciúme, a vaidade?

- A inveja, tão mal vista e condenada, mesmo ela consegue ter alguma função, podendo até se tornar um objetivo de vida, a razão de viver de uma pessoa. O ciúme, tão doentio e absurdo que possa ser, mesmo ele carrega algum charme. A vaidade parece mais um desejo de agradar quem nunca se importa com isso, do que propriamente um sentimento.

- Então, por que a culpa?

- Porque ela sim, a culpa consegue se encaixar de forma perfeita à alma de um indivíduo, permanecendo agregada a sua existência, acompanhando-o a todo tempo e lugar, como um fardo, pesado ou leve, mas sempre ...  um fardo. Ainda que adormecida, ela estará sempre guardada em algum lugar na sua consciência, pronta para despertar e dar suas risadas incessantes, desdenhando da existência de quem a carrega.




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